
Uma obra inacabada tem tirado o sossego dos comerciantes e turistas do litoral piauiense. As intervenções realizadas no calçadão da praia de Atalaia, em Luís Correia, que deveriam melhorar o acesso à orla marítima, tem causado transtornos aos proprietários de restaurantes e bares. Além disso, tem sido motivo de reclamações dos turistas que não conseguem chegar aos estabelecimentos por conta da quantidade de areia e materiais de construção que se acumulam se transformando em um imenso canteiro de obras sem perspectivas de conclusão.
Esta semana o Ministério Público Federal no Piauí (MPF) determinou à Secretaria Estadual de Infra-Estrutura (SEINFRA) a conclusão das obras de urbanização da praia de Atalaia. Também consta na decisão do MPF a recomendação ao governo estadual aplicação de multa à construtora Consladel, responsável pela obra, pelo não cumprimento do contrato assinado em 21 de outubro de 2009. De acordo com o contrato a previsão de entrega da obra terminou no dia 22 de junho de 2010.
Desde novembro de 2009, período em que os trabalhos começaram, a obra tem passado por problemas em sua execução. No projeto de execução da obra estava previsto a construção da pista asfaltada, passeio central e banheiros públicos, bem como praças de eventos e quiosques institucionais. Os proprietários de estabelecimentos localizados na praia de Atalaia reclamam que o poder público não procurou ouvi-los a respeito das intervenções.
Por meio dos veículos de comunicação do Estado os proprietários de bares e restaurantes têm relatado o descaso na execução das obras. Paulo Sérgio, proprietário do bar Amarelinho há 14 anos, avalia que as vendas caíram cerca de 70% após a retirada do asfalto da pista. “Alguns clientes não chegam ao meu restaurante porque o carro pode atolar na areia. Os lucros diminuíram depois disso”, avalia o comerciante, que também reclama da falta de iluminação e limpeza pública.
A presidente da associação dos donos de restaurantes e bares da praia de Atalaia, Valéria Soares, afirma que os autônomos não foram consultados pela secretaria de Turismo sobre os impactos que poderiam sofrer com a obra. Esposa de Paulo Sérgio e também dona do Amarelinho, Valéria teve que suspender as vendas por dois meses. “Aqui tinha muita areia e a água faltava constantemente”, enfatiza, reclamando da demora.
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